24 janeiro 2021

Eu quero uma capivara.

 Por incrível que pareça, ainda existe a caçada. Não sei se parecida com as que aconteciam nas florestas reais da Inglaterra ou com as que os índios praticavam para se alimentar...

Mas é aquela que faz alguns homens ricos, no auge da falta do que fazer, sairem de casa com suas espingardinhas importadas para alguma floresta particular de algum amigo. O objetivo não é se alimentar, como os índios, mas se divertir como os ingleses. Mas, como diria Cazuza, eles são "caboclos querendo ser ingleses" e, no máximo, só ajudam a diminuir a tão precária fauna brasileira. 

E o que dá vontade de fazer? Cuidar dessa fauna. Só isso. Inocente e humoradamente, podemos pensar em "adotar" um bichinho, envolver nos braços uma espécie em extinção, levar pra casa...melhor não. Nem tudo que é belo e fofo deve sair do seu habitat. Quando a amiga Andressa, em um papo sobre caçadas atuais, falou "eu quero uma capivara", imaginei imediatamente a vontade de abraçar o planeta e proteger de que só quer detonar com o coitado. 

Querer uma capivara, um porco anão, até um jumentinho, vai além da posse...mas revela a incrível e imensurável vontade de cuidar da vida. Então, cuidemos.

12 fevereiro 2007

A magia da trouxa de roupa suja

Algumas coisas que acontecem na nossa vida, nos fazem pensar no que uma boa trouxa de roupa suja pode fazer no cotidiano de alguém. E quando resolvi abrir meu fotolog pra qualquer pessoa comentar, percebi o que a falta do que fazer promove nas vidinhas por ai afora...em especial nas vidinhas de quem gosta de internet. Que falta faz uma trouxa de roupa suja na vida de certas pessoas... Que maravilhas umas boas horas num tanque áspero faria nas almas sebosas de certos seres... 

Como umas boas bolhas de sabão em pó inebriam os pensamentos podres de certos indivíduos. A magia da trouxa de roupa suja é poderosa e eficiente. E se pudéssemos atribuir o tamanho da trouxa para a necessidade de alguns? Colegas de trabalho que só criticam merecem lavar pesados edredons...vizinha fofoqueira tem que lavar umas 20 calças jeans por dia...ex namorados e namoradas??

Caramba...quando Deus inventou os e as "ex" ele tava de muito mau-humor. Essa raça merece lavar todo o estoque de jeans e de edredons do planeta. Do Cascão, evidentemente. E quando essa raça inventa de escrever coisas no fotolog da gente...aí vc pensa em aposentar a máquina de lavar e pedir os serviços, né não? Como esse povo se preocupa em tentar atrapalhar uma felicidade inabalável, em querer achar que teve importância na vida de alguém. Importância, sempre temos...o que falta pra alguns é fazer por onde deixar boas lembranças. 

A magia da trouxa de roupa suja... Você está sem ter o que fazer? Quer mesmo apurrinhar a vida de outra pessoa? Faz o seguinte: faz uma visitinha à sua área de serviço e procura aquela trouxa de roupa suja...aquela, a maior, a mais pesada. Certamente, depois que você a enfrentar, vai ver a vida com olhos mais limpos...de sabão em pó.

02 novembro 2005

Economizando palavras

Olá, amados & amadas. Essa estava "na agulha" pra ser passada a limpo. Escrevi sentada no terraço do Shopping Boa Vista, enquanto esperava Péricles e Pedrinho para irmos ao cinema. Abraços gerais. .......................................................................................................................

Economia de palavras

Foi-se o tempo em que as pessoas não economizavam palavras. Ouvi falar muito em economia de dinheiro, de açúcar, de água da cacimba, e presentes para a sogra... mas, de palavras, nunca.

Penso até que um dia os Correios irão falir. Nunca mais veremos aqueles valorosos rapazes de camisa amarela perambulando com suas antiestéticas bolsas azuis. Não escreveremos mais. Estamos economizando palavras. Ah! Eles ainda nos entregarão contas, mas elas não economizam em nada as palavras de persuasão sobre novas aberturas de crédito.

Economizamos palavras escritas. Depois que o e-mail apareceu, descobri que podemos escrever um livro em uma página. Somos os taquígrafos do futuro. A quantidade de abreviaturas não nos faz economizar espanto. Navegar nos bate-papos é o mesmo que adentrar numa enciclopédia infinita de abreviaturas. Até se economizam cantadas na internet. Uma boa cantada pode simplesmente ser “ker tc?”.

Economizamos palavras faladas. E todos absorveram o dito popular que diz que “um gesto vale mais que mil palavras”. O pior é saber que essas “mil palavras” poderiam evitar gestos ferinos, obscenos, ofensivos. Palavras podem salvar vidas, sem economia de sentimentos.

Economizamos palavras faladas. E só olhamos para o vizinho e dizemos “bom-dia”, supondo, ingenuamente, que esse “bom-dia” quer dizer tudo. Mas precisamos dizer tudo. Economizamos palavras porque temos medo de ouvir outras palavras.

E com toda essa “economia” também estamos economizando olhares, sorrisos, gestos salvadores. Estamos economizando solidariedade.

Olá, amados & amadas! Esta é minha primeira crônica, feita num projeto que participei em Carpina - PE, chamado "Projeto Tobias Barreto - Crõnica na sala de aula". Ela foi escolhida, junto com a de outro colega, para representar a equipe de trabalho que participamos lá (eram 4). Aqui vai ela. Espero que gostem:

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Sala dos professores (?)

São muitos os depoimentos que chegam na hora do intervalo. Colegas despejam seus materiais e se jogam nas cadeiras como soldados derrotados após uma batalha. E despejam os “aperreios” causados por um aluno mais agitado, de quem se teve que apartar uma briga por causa de um lápis.

E professores de Matemática reclamam de um ou outro aluno que troca o sinal de mais pelo de dividir. E professores de História reclamam de um aluno que falou que quem descobriu o Brasil foi Robinson Crusoé e que ele gritou “independência ou morte!”. E professores de Português são acometidos de supostos enfartos quando alunos entoam, em alta voz, que a palavra “ele” é preposição. E professores de Ciências, aos prantos, descobrem que animais anelídeos são aqueles que usam anéis. E copos d’água aliviam os ânimos e gargantas cansados.

Enlouquecer? Mas antes disso, refletir. Pois, por mais que reclamemos do “hoje” dos alunos, existiu um “ontem” que foi mal trabalhado. E nestas horas entramos em pânico ao notar que quase fugimos da ética profissional, acusando colegas de anos anteriores. Nossos “anjos” têm culpa de nos soltar estas “pérolas”? Será que nossos ataques de loucura não são somente a demonstração de que podemos fazer algo mais?

Podemos, mas não depende só de nós. Enquanto isso, o manicômio funcionará de segunda a sexta, nos horários do intervalo, no ambulatório “sala dos professores”.