02 novembro 2005

Economizando palavras

Olá, amados & amadas. Essa estava "na agulha" pra ser passada a limpo. Escrevi sentada no terraço do Shopping Boa Vista, enquanto esperava Péricles e Pedrinho para irmos ao cinema. Abraços gerais. .......................................................................................................................

Economia de palavras

Foi-se o tempo em que as pessoas não economizavam palavras. Ouvi falar muito em economia de dinheiro, de açúcar, de água da cacimba, e presentes para a sogra... mas, de palavras, nunca.

Penso até que um dia os Correios irão falir. Nunca mais veremos aqueles valorosos rapazes de camisa amarela perambulando com suas antiestéticas bolsas azuis. Não escreveremos mais. Estamos economizando palavras. Ah! Eles ainda nos entregarão contas, mas elas não economizam em nada as palavras de persuasão sobre novas aberturas de crédito.

Economizamos palavras escritas. Depois que o e-mail apareceu, descobri que podemos escrever um livro em uma página. Somos os taquígrafos do futuro. A quantidade de abreviaturas não nos faz economizar espanto. Navegar nos bate-papos é o mesmo que adentrar numa enciclopédia infinita de abreviaturas. Até se economizam cantadas na internet. Uma boa cantada pode simplesmente ser “ker tc?”.

Economizamos palavras faladas. E todos absorveram o dito popular que diz que “um gesto vale mais que mil palavras”. O pior é saber que essas “mil palavras” poderiam evitar gestos ferinos, obscenos, ofensivos. Palavras podem salvar vidas, sem economia de sentimentos.

Economizamos palavras faladas. E só olhamos para o vizinho e dizemos “bom-dia”, supondo, ingenuamente, que esse “bom-dia” quer dizer tudo. Mas precisamos dizer tudo. Economizamos palavras porque temos medo de ouvir outras palavras.

E com toda essa “economia” também estamos economizando olhares, sorrisos, gestos salvadores. Estamos economizando solidariedade.

Olá, amados & amadas! Esta é minha primeira crônica, feita num projeto que participei em Carpina - PE, chamado "Projeto Tobias Barreto - Crõnica na sala de aula". Ela foi escolhida, junto com a de outro colega, para representar a equipe de trabalho que participamos lá (eram 4). Aqui vai ela. Espero que gostem:

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Sala dos professores (?)

São muitos os depoimentos que chegam na hora do intervalo. Colegas despejam seus materiais e se jogam nas cadeiras como soldados derrotados após uma batalha. E despejam os “aperreios” causados por um aluno mais agitado, de quem se teve que apartar uma briga por causa de um lápis.

E professores de Matemática reclamam de um ou outro aluno que troca o sinal de mais pelo de dividir. E professores de História reclamam de um aluno que falou que quem descobriu o Brasil foi Robinson Crusoé e que ele gritou “independência ou morte!”. E professores de Português são acometidos de supostos enfartos quando alunos entoam, em alta voz, que a palavra “ele” é preposição. E professores de Ciências, aos prantos, descobrem que animais anelídeos são aqueles que usam anéis. E copos d’água aliviam os ânimos e gargantas cansados.

Enlouquecer? Mas antes disso, refletir. Pois, por mais que reclamemos do “hoje” dos alunos, existiu um “ontem” que foi mal trabalhado. E nestas horas entramos em pânico ao notar que quase fugimos da ética profissional, acusando colegas de anos anteriores. Nossos “anjos” têm culpa de nos soltar estas “pérolas”? Será que nossos ataques de loucura não são somente a demonstração de que podemos fazer algo mais?

Podemos, mas não depende só de nós. Enquanto isso, o manicômio funcionará de segunda a sexta, nos horários do intervalo, no ambulatório “sala dos professores”.