02 novembro 2005

Olá, amados & amadas! Esta é minha primeira crônica, feita num projeto que participei em Carpina - PE, chamado "Projeto Tobias Barreto - Crõnica na sala de aula". Ela foi escolhida, junto com a de outro colega, para representar a equipe de trabalho que participamos lá (eram 4). Aqui vai ela. Espero que gostem:

.................................................................................................................... 

Sala dos professores (?)

São muitos os depoimentos que chegam na hora do intervalo. Colegas despejam seus materiais e se jogam nas cadeiras como soldados derrotados após uma batalha. E despejam os “aperreios” causados por um aluno mais agitado, de quem se teve que apartar uma briga por causa de um lápis.

E professores de Matemática reclamam de um ou outro aluno que troca o sinal de mais pelo de dividir. E professores de História reclamam de um aluno que falou que quem descobriu o Brasil foi Robinson Crusoé e que ele gritou “independência ou morte!”. E professores de Português são acometidos de supostos enfartos quando alunos entoam, em alta voz, que a palavra “ele” é preposição. E professores de Ciências, aos prantos, descobrem que animais anelídeos são aqueles que usam anéis. E copos d’água aliviam os ânimos e gargantas cansados.

Enlouquecer? Mas antes disso, refletir. Pois, por mais que reclamemos do “hoje” dos alunos, existiu um “ontem” que foi mal trabalhado. E nestas horas entramos em pânico ao notar que quase fugimos da ética profissional, acusando colegas de anos anteriores. Nossos “anjos” têm culpa de nos soltar estas “pérolas”? Será que nossos ataques de loucura não são somente a demonstração de que podemos fazer algo mais?

Podemos, mas não depende só de nós. Enquanto isso, o manicômio funcionará de segunda a sexta, nos horários do intervalo, no ambulatório “sala dos professores”.

Nenhum comentário: