Economia de palavras
Foi-se o tempo em que as pessoas não economizavam palavras. Ouvi falar muito em economia de dinheiro, de açúcar, de água da cacimba, e presentes para a sogra... mas, de palavras, nunca.
Penso até que um dia os Correios irão falir. Nunca mais veremos aqueles valorosos rapazes de camisa amarela perambulando com suas antiestéticas bolsas azuis. Não escreveremos mais. Estamos economizando palavras. Ah! Eles ainda nos entregarão contas, mas elas não economizam em nada as palavras de persuasão sobre novas aberturas de crédito.
Economizamos palavras escritas. Depois que o e-mail apareceu, descobri que podemos escrever um livro em uma página. Somos os taquígrafos do futuro. A quantidade de abreviaturas não nos faz economizar espanto. Navegar nos bate-papos é o mesmo que adentrar numa enciclopédia infinita de abreviaturas. Até se economizam cantadas na internet. Uma boa cantada pode simplesmente ser “ker tc?”.
Economizamos palavras faladas. E todos absorveram o dito popular que diz que “um gesto vale mais que mil palavras”. O pior é saber que essas “mil palavras” poderiam evitar gestos ferinos, obscenos, ofensivos. Palavras podem salvar vidas, sem economia de sentimentos.
Economizamos palavras faladas. E só olhamos para o vizinho e dizemos “bom-dia”, supondo, ingenuamente, que esse “bom-dia” quer dizer tudo. Mas precisamos dizer tudo. Economizamos palavras porque temos medo de ouvir outras palavras.
E com toda essa “economia” também estamos economizando olhares, sorrisos, gestos salvadores. Estamos economizando solidariedade.
4 comentários:
Bom eu não vou economizar: amei vc ter me mandado o CD viu? Brigadão mesmo! Peninha meu nego ter viajado, daí eu nem vou pra Gaibu esse findi... Mas depois nóis combina. beijocas Wal
Postar um comentário